DEVEMOS DESENVOLVER ANTICORPOS CONTRA A CULTURA QUE DESCARTA IDOSOS E DOENTES

Após o encontro com os salesianos, o Papa Francisco dirigiu-se à Igreja do Cottolengo para o encontro com os doentes e deficientes da Pequena Casa da Providência. “A exclusão dos pobres e a dificuldade para os indigentes em receber assistência e os cuidados necessários, afirmou, é uma situação que infelizmente está presente ainda hoje”.

O Santo Padre reconheceu os grandes progressos feitos na medicina e na assistência social, mas chamou a atenção para uma difundida cultura do descarte, “consequência  de uma crise antropológica que não coloca o homem no centro, mas o consumo e os interesses econômicos”, e entre as vítimas desta cultura estão os idosos, “acolhidos em grande número nesta casa”. O Papa ressaltou, que a longevidade nem sempre é vista como um dom de Deus, mas muitas vezes como “um peso difícil de sustentar, sobretudo quando a saúde é fortemente comprometida”. E este comportamento faz mal à sociedade, afirmou,

“O nosso dever –  disse o Pontífice” – é desenvolver “anticorpos” contra este modo de considerar os idosos, ou as pessoas com deficiências, como se fossem vidas não dignas de serem vividas”. Que o exemplo de Cottolengo, que amou estas pessoas, exortou,  nos ensine a olhar com outros olhos para a vida e a pessoa humana. “Dele podemos aprender a concretude do amor evangélico, para que muitos pobres e doentes possam encontrar uma “casa”, viver como em uma família, sentir-se pertencentes à comunidade e não excluídos e suportados”. “Vocês, queridos irmãos doentes – disse o Papa – são membros preciosos da Igreja, são a carne de Cristo Crucificado que temos a honra de tocar e servir com amor”.

A razão de ser desta  Pequena Casa não é o assistencialismo, ou a filantropia – frisou o Papa -, mas o Evangelho, “o Evangelho do amor de Cristo é a força que a fez nascer e que a faz seguir em frente. O amor de predileção de Jesus pelos mais frágeis e os mais fracos”.

O carisma de Cottolengo, concluiu o Papa – é fecundo, como demonstram os Beatos Padre Francesco Paleari e Frei Luigi Bordino, como também a Serva de Deus Irmã Maria Carola Cecchin, missionária.

São José Benedito Cotolengo nasceu em Brá, na província de Cuneo, no norte da Itália, no dia 3 de maio de 1786. Foi ordenado Sacerdote na Diocese de Turim. Fundou a Congregação religiosa da Pequena Casa da Divina Providência e as Damas da Caridade ou Cotolenguinas, com a finalidade de servir os pequeninos, os deficientes e os doentes. Os fundos deveriam vir apenas das doações e da ajuda das pessoas simples. Padre José Benedito Cotolengo tinha como lema “caridade e confiança”: fazer todo o bem possível e confiar sempre em Deus. Comprou uma hospedaria abandonada na periferia da cidade e reabriu-a com o nome de “Pequena Casa da Divina Providência”.