Rádio Conexão Católica

18º CEN – Membros da presidência da CNBB reforçam que a Eucaristia compromete os cristãos a partilha do pão

Membros da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participaram, em diferentes momentos, da programação do 18º Congresso Eucarístico Nacional (CEN), realizado pela  arquidiocese de Olinda e Recife (PE) e promovido pela CNBB, de 11 a 15 de novembro. O tema que animou esta edição foi “Pão em Todas as mesas”.

De acordo com o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, o 18º CEN contribuiu para projetar luz na sociedade brasileira, ajudando a discernir sobre o caminho missionário da Igreja no Brasil, a serviço de todos, sempre no horizonte do Evangelho.  “A luz projetada pelo Congresso não é luminosidade qualquer, mas aquela que está no centro e no ápice da vida cristã católica: a luz da Eucaristia”, afirmou.

Dom Walmor destacou que bispos, ministros ordenados, consagrados e evangelizadores leigos partilharam de densa e rica programação, todos ao redor do Pão Eucarístico, com reflexões a partir do tema: “Pão em todas as mesas”. “A Igreja nasce e vive da Eucaristia. A vivência deste mistério, com autenticidade, impulsiona na direção corajosa e profética de lutar para que haja pão em todas as mesas”, refletiu.

O presidente da CNBB afirmou que colocar o pão em todas as mesas é uma meta concreta e muito pertinente quando se considera o grave momento atual da sociedade brasileira, com milhões de pessoas submetidas à fome ou à insegurança alimentar. “Cada evangelizador e evangelizadora reunido no 18º Congresso Eucarístico Nacional sentiu-se ainda mais interpelado a, efetivamente, fazer-se alimento, buscando servir cada pessoa, especialmente aos pobres, na fidelidade a Jesus Cristo, o Mestre que se fez alimento para toda a humanidade”, ressaltou.

“Eucaristia é ação de toda a Igreja”

Na avaliação do arcebispo de Porto Alegre e primeiro vice-presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, o  Congresso Eucarístico está sendo uma ocasião para aprofundar um princípio que marca a teologia da Igreja: “a Igreja vive na Eucaristia e através da Eucaristia”. Para dom Jaime, o Congresso não se esgota com o fim das atividades em Recife, mas continua nas realidades eclesiais locais da Igreja no Brasil. “O Congresso Eucarístico não é um evento, com um começo e um término. Ele é, certamente, uma etapa importante na caminhada da Igreja no Brasil, que repercute, ou deveria repercutir em todas as comunidades”, avalia.

Dom Jaime compreende que a Eucaristia é ação de toda a Igreja e, em razão disto, crê que o 18º CEN está sendo uma oportunidade para pôr evidência ainda maior ao Sacramento de Cristo. “O Congresso também coopera para promover a sinodalidade na Igreja. É que o próprio termo ‘congresso’, na sua raiz latina, significa ‘caminhar juntos, recordando assim que a Igreja é assembleia re-unida em torno da mesa da Palavra e da mesa do pão”, reflete.

Para o primeiro vice-presidente da CNBB, a participação num evento desta magnitude auxilia no aprofundamento da compreensão da Eucaristia como liturgia, reunião de irmãos e irmãs, e como ação na qual se contempla, se recapitula e se vive todo o mistério de Cristo. “Estes são aspectos aos quais precisamos sempre retornar, pois estão nos ensinando, sempre e de novo, isto é, sempre e de forma nova, que a Eucaristia é lugar de comunhão dos fiéis entre si e expressão privilegiada da unidade do Corpo de Cristo”, defende.

Dom Jaime crê que as contribuições do Congresso apontam para a necessidade de continuar aprofundando, com fé e ousadia, a compreensão do mistério da Eucaristia, com suas implicâncias sempre atuais na vida eclesial e social.

Dom Jaime participa do 18º Congresso Eucarístico Nacional. | Foto: Comunicação do 18º CEN.

“O Cristo vivo na Eucaristia nos compromete a partilhar o pão”

Para o segundo vice-presidente da CNBB e arcebispo de Cuiabá (MT), dom Mário Antônio da Silva, o Congresso Eucarístico de Recife foi uma verdadeira página viva do Evangelho e um tempo de graças e bênçãos de Deus para toda a nação brasileira.

“Já na celebração de abertura fomos interpelados à partilha e à solidariedade. Com a consciência de que alimentar-se do Pão do Céu, o Cristo vivo na Eucaristia, é também nos comprometer em compartilhar o pão material, o pão das mesas com as famílias, especialmente com os mais pobres”, disse.

O arcebispo destacou a bonita presença do Legado Papal, o cardeal português António Augusto dos Santos Marto, bispo emérito da diocese de Leiria – Fátima. Dom Mário destacou que o representante do Santo Padre demonstrou muita sensibilidade com as realidades brasileiras e muita consciência com a espiritualidade eucarística do povo brasileiro e, especialmente, do Nordeste, território onde o Congresso aconteceu.

“Uma experiência bonita também foi a visita dos bispos às paróquias, podendo ter contato com as comunidades. E, em um dos dias, a celebração foi nas pequenas comunidades das paróquias. Foi uma verdadeira rede do Reino de Deus presente na arquidiocese de Recife e Olinda, com reflexos de graças e bênçãos, fruto abundante para todo o nosso Brasil e também para o ministério de cada um de nós bispos”, disse.

Voluntários na inauguração da Casa Pão. | Fotos: Ascom do 18º CEN.

O arcebispo de Cuiabá destacou ainda a inauguração da Casa do Pão, um gesto concreto de solidariedade aos mais pobres como legado do Congresso. “São os mais pobres que abrem os nossos olhos para que sejamos tal qual Jesus capazes de servir na gratuidade”, reforçou.

Dom Mário recorda-se ainda da missa de conclusão, “uma celebração muito bonita, com mensagens interpeladoras e de envio, como foi feito na procissão eucarística. Uma grande procissão que revelou o nosso imenso amor pela Eucaristia e a infinita bondade de Deus para com todos os seres humanos”.

“Que possamos prolongar a celebração do Congresso com o pão em todas as mesas no combate à fome para que hoje mesmo possamos dar um basta à insegurança alimentar que ronda milhões de brasileiros e em todo o planeta. Que Deus nos conceda a graça de sermos pessoas capazes de nos alimentar e ser também, pela fé, esperança e caridade, alimento para irmãs e irmãos, assim como fez Jesus. Amemo-nos uns aos outros com Ele nos amou”, exortou.

 

Fonte: CNBB