A PREOCUPAÇÃO DO PAPA PELA “HEROICA” IGREJA IRAQUIANA

“A Igreja no Iraque”: este é o título do livro escrito pelo Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, Card. Fernando Filoni. A obra recorda a história, a evolução e a missão da Igreja iraquiana desde o início até os nossos dias. “Uma Igreja heroica”, como a definiram Bento XVI e Papa Francisco, que também hoje está dando um testemunho de fé por causa das perseguições dos jihadistas do Estado Islâmico.

O Card. Filoni foi Núncio Apostólico no país por cinco anos, durante a Guerra do Golfo, e Francisco o enviou duas vezes em missão entre os refugiados iraquianos. Em entrevista à Rádio Vaticano, o purpurado explicou quanto é viva a preocupação do Papa pelos cristãos iraquianos:

Card. Filoni:– É vivíssima por vários motivos. Antes de tudo porque os cristãos, neste momento, junto a outras pequenas minorias, são os pobres, realmente os pobres desta situação, porque tiveram que abandonar tudo, não somente as próprias casas, mas também seus pertences. O Papa teve um papel importante – e todos reconhecem isso – por ter focalizado a atenção internacional sobre a situação de guerra e dos nossos cristãos, que foram expulsos. A guerra é sempre uma injustiça. E aqui vemos que todas as populações, e não somente as cristãs, também as muçulmanas e de outras minorias, sofrem as consequências da destruição, da morte e das famílias divididas.

RV  – O Senhor foi Núncio Apostólico no Iraque justamente durante a Guerra do Golfo e voltou como enviado do Papa duas vezes ao Iraque. Como foi esta experiência?

Card. Filoni: – O primeiro encontro foi chocante, porque nos encontrávamos em meio a milhares de famílias que haviam fugido e dormiam no chão, onde era possível, sob as árvores, em situações absolutamente desumanas, com um calor que durante o verão chega a 45, 48 graus. Portanto, podemos imaginar esta pobre população que fugiu sem água, sem condições de viver dignamente e decentemente, com todos os problemas relacionados às doenças, à alimentação, à água potável. Foi um choque. A segunda visita foi para demonstrar aos nossos cristãos que encontrei que nós não nos esquecemos deles: era um gesto, como o Papa diz com frequência, uma “carícia”, uma carícia que não deve ser feita só uma vez, mas deve ser repetida para que sintam que estamos próximos a eles. A segunda vez eu a defini como uma “peregrinação” porque era o período da Semana Santa e, portanto, via o calvário, o sofrimento e a via-sacra daquela gente.