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Capela Sistina recebe “tratamento digital” completo para futuras restaurações

A última vez que a Capela Sistina foi fotografada integralmente para a posteridade, foi em tempos em que a fotografia digital estava em sua infância e palavras como “pixel” eram cogitados principalmente por nerds de computador e cientistas da NASA.

Agora, depois de décadas de avanços tecnológicos na arte de fotografar, salas escuras digitais e técnicas de impressão, um projeto que durou cinco anos  –  num total de 270.000 frames que mostram os afrescos de Michelangelo e outros mestres, em detalhes impressionantes – vai ajudar nas restaurações futuras.

O mestre renascentista terminou de pintar o teto em 1512 e o enorme painel do “Juízo Final” por trás do altar entre 1535 e 1541.

“No futuro, isso vai nos permitir conhecer o estado de cada centímetro da capela, como é hoje, em 2017”, disse Antonio Paolucci, ex-Diretor dos Museus Vaticanos e especialista de renome mundial.

A última vez que todos os afrescos da Capela Sistina foram fotografados foi entre 1980 e 1994, durante um projeto de restauração, que limpou-os pela primeira vez em séculos.

As fotos tiradas foram incluídas em um novo conjunto de três volumes, de 870 páginas, limitado a 1.999 cópias e comercializado para bibliotecas e colecionadores.

O conjunto, que custa cerca de 12.000 euros (US$ 12.700), foi uma produção conjunta dos Museus do Vaticano e Scripta Maneant editores, da Itália.

Na pós-produção foram usadas técnicas de computador, incluindo “stitching” de frames. Os fotógrafos que trabalharam durante 65 noites, das 19 horas às 2 da manhã, período em que a Sistina estava fechada aos visitantes.

O projeto era conhecido por poucas pessoas, até ter sido revelado na noite de sexta-feira  (24/02).

O trabalho contemplou toda a Capela, incluindo o mosaico do piso e os afrescos do século XV.

Mais de 220 páginas foram impressas em escala 1: 1, incluindo “A Criação de Adão” e o rosto de Jesus no Juízo Final.

Cada volume pesa cerca de 9 kg e páginas desdobráveis medem 60 por 130 cm.

As antigas fotos, tiradas durante a última restauração, ainda faziam uso de rolos de filme.

“Nós usamos um software especial de pós-produção para obter a profundidade, intensidade, calor e nuance de cores com uma precisão de 99,9 por cento”, revelou Giorgio Armaroli, chefe de Scripta Maneant.

“Futuros restauradores usarão estas como padrão”, disse ele, acrescentando que cada página foi impressa seis vezes.

Pinceladas são claramente visíveis como são as “bordas” que delineiam seções, conhecidas como “giornate”, ou dias.

Os fotógrafos utilizaram andaimes portáteis a 10 metros de altura e lente telescópica especial. Os resultados foram armazenados nos servidores do Vaticano, ocupando 30 terabytes de informação.