CARD. SISTACH NO RIO: O TRABALHO DA IGREJA NAS GRANDES CIDADES

O que a Igreja pode modificar e potencializar na evangelização das grandes cidades? Esta é a preocupação do Arcebispo de Barcelona, Cardeal Lluís Martínez Sistach, que cumpre agenda no Rio de Janeiro, de 23 a 26 de agosto. Ele recebe a imprensa, terça (25), às 11h30, no edifício João Paulo II, 3º andar. A visita atende ao convite do Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, que também participa da coletiva.

“Deixem-se questionar sobre o que mudar”, disse o Cardeal de Barcelona, nesta segunda-feira (24), a 40 Bispos brasileiros e assessores, reunidos no Sumaré para o encontro ‘Grandes Cidades: desafios para a unidade e paz’. “O mundo se urbaniza cada dia mais. Dois terços do mundo serão área urbana em 2050. A cidade produz uma ambivalência permanente. Oferece infinitas oportunidades, mas também dificuldades”.

Ele apresentou um modelo de desenvolvimento humano que reflete desintegração do tecido social,  individualismo e competitividade. “As grandes cidades enfrentam questões como a pobreza, a violência e isolamento social, desafios de mobilidade, anonimato e perda de vínculo social, consumo que leva a frustração, desastres ecológicos e degradação do meio ambiente, especulação e corrupção do espaço público”, enumerou. “Desconfiança das instituições públicas e políticas. Fenômenos novos. Movimentos sociais novos em busca de uma identidade”.

Neste cenário, ele destacou o papel da família e da religião. “A família é a via de reconstrução do tecido social em tempos de crises”, afirmou. “A religião dá sentido a uma experiência com Deus, que vive na cidade, na alegria e no sofrimento. A missão da Igreja é fazer o homem descobrir a presença de Deus na cidade e valorizar a presença cristã”. Para ele, é preciso ensinar o olhar contemplativo e, em segundo, fazer a análise social, cultural, econômica. “A interpretação teológica da cidade é olhar como Deus vê o mundo. As diferenças da realidade. Espaço de perdição e salvação. Foco cristológico. Cristo é o mistério da encarnação. Igreja segue o mistério de Cristo: encarnar-se”.

O cardeal de Barcelona visitou no domingo (23) as comunidades do Jardim América, zona Norte do Rio. “São comunidades fecundas na fé. São frutos para a Igreja”, disse. Ele conheceu experiências da Igreja em áreas de extrema pobreza, de violência, de práticas ambientais, de diálogo com a juventude.

Precisamos estar de saída missionária, em postura de proximidade e encontro. Jesus não faz proselitismo mas vê os corações. Encontrar-se com os jovens e com os pobres é uma preocupação pastoral”. Ele incentivou uma forma eclesial de ser atraente para as cidades com espiritualidade e ética. “Ação a favor dos pobres, compromisso ético e a espiritualidade. Homens que falem do evangelho.  Igreja como porto de salvação, lugar de encontro com o próprio coração, de portas abertas para todos. Espaços de oração e comunhão mais atraentes. Centros catequéticos descentralizados. Local de silêncio e contemplação”.

Toda essa preocupação segue o ritmo próprio da cidade, pobreza, pluralidade de exigências, novos areópagos, cultura, influência rural, “grupos invisíveis”, que são aqueles que estão fora da média, como por exemplo imigrantes asiáticos e africanos. Este são desconhecidos até para o poder público. Neste cenário, como traçar um plano pastoral? Quais as sugestões práticas para levar a presença de Jesus à cidade?

Para o Cardeal Sistach, além da estrutura pastoral, é preciso uma linguagem adaptada aos dias de hoje. “É o amor”, disse. “Alcançar o coração das pessoas. Estar presente. Escutar. Aprender a evangelizar. Descobrir cidades distintas, na mesma cidade. Ser missionário. Acolher”.

A Arquidiocese do Rio de Janeiro promove, de 23 de agosto a 5 de setembro, uma extensa agenda de atividades com três cardeais. O Arcebispo do Rio recebe o Arcebispo de Barcelona, Cardeal Lluís Martínez Sistach, o Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson e o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch.