COLETIVA DO SEGUNDO DIA DA AG ABORDA ATUAÇÃO DA IGREJA NA SOCIEDADE

A 53º Assembleia Geral (AG) da CNBB realizou nesta quinta (16), a segunda entrevista coletiva apresentando os temas Conjuntura Social e Eclesial; Cristãos Leigos e Questão Indígena. Participaram da coletiva o Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), Cardeal Orani João Tempesta, que falou sobre Conjuntura Social e Eclesial; o Bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal para o Laicato, Dom Severino Clasen, tratou do tema prioritário da Assembleia, “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade”; e o Bispo da prelazia do Xingu (PA) e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Dom Erwin Krautler que abordou a questão indígena no País.

Os trabalhos foram iniciados por Dom Dimas Lara Barbosa, Arcebispo metropolitano da capital de Mato Grosso do Sul, estando como orador da coletiva apresentou um panorama geral da programação da manhã e da tarde na assembleia, e em seguida passou a palavra ao Cardeal Orani João Tempesta.

Dom Orani falou sobre a necessidade de evangelização e missão da igreja, indo de encontro com a proposta da Campanha da Fraternidade deste ano. Citou que com as mudanças social e eclesial é preciso repensar a forma como fazer para que a evangelização aconteça. Destacando que é necessária uma presença mais personalizada, chegando mais perto das pessoas, estando presente nas periferias.

O Cardeal falou ainda que as pessoas, enquanto igreja, precisam ser uma presença de testemunho em suas atitudes. Dentro da realidade de buscar qual é a contribuição da igreja para a sociedade Dom Orani falou da Redução da Maioridade Penal, enfatizando que a prisão não resolve nem para quem está preso, dizendo que é preciso buscar alternativas. Falou também da importância do trabalho com os dependentes químicos, e a necessidade de apresentar valores a eles. Concluiu dizendo que todos esses assuntos estão sendo discutidos na assembleia com o objetivo de ajudar a encontrar caminhos e diretrizes para os trabalhos junto à sociedade.

Na sequência, para falar do tema central da Assembleia “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade”, Dom Severino Clasen iniciou apresentando sua satisfação em compartilhar com a imprensa as discussões sobre o laicato. O Bispo começou sua explanação destacando que uma nova versão do documento que trata dos cristão leigos e leigas será desenvolvido, com informações que estão sendo recolhidas por meio da contribuição de diversos grupos da sociedade.   De acordo com Dom Severino todas essas discussões são necessárias para que possamos avançar, criar maior consciência para que o atual cenário da sociedade mude. Salientou que é importante cada leigo cristão assumir seu papel na sociedade, pois a fé do povo é o fio condutor para melhorar o mundo “é muito bom deixar que os padres e bispos decidam, mas é muito importante que os leigos assumam seu papel e seu compromisso”. Concluiu sua fala afirmando que assumir a fé é transforma a sociedade.

Para fechar à coletiva Dom Erwin Krautler falou sobre as questões indígenas. Iniciou explicando “há tempos atrás nós pudemos nos orgulhar por termos uma constituição que defende os povos indígenas, no entanto, o tempo passa e hoje forças anti-indígenas fazem uma luta contra a própria constituição”. O Bispo da prelazia do Xingu demonstrou sua indignação diante dessa problemática ao falar que durante o governo Dilma não houve nenhuma demarcação de área indígena, e tudo isso, em sua opinião, é uma influência do Agronegócio, representado em grande número no Congresso Nacional.

Falou também da Amazônia “cobiçada como nunca”, salientou a luta da Igreja em defesa do interesse do povo que lá vive. Citou o caos que Altamira, no Pará, se encontra, tendo várias famílias desalojadas, tendo suas casas derrubadas. O Bispo explicou que o governo divulgou que casas estão sendo construídas para atender as famílias, no entanto, Dom Erwin afirmou que o número de casas não é suficiente para atender a todos. Diante de todas essas questões Dom Erwin ressalta “não podemos silenciar, é missão da igreja colocar o dedo nessa ferida”.