Coptas-católicos e muçulmanos na Missa com o Papa no Cairo

A preparação da visita do Papa Francisco ao Egito “procede segundo o programa” e a expectativa pela chegada do Bispo de Roma “não diz respeito somente aos cristãos, mas envolve todo o país”.

Foi o que declarou à Agência Fides o Bispo copta-católico emérito de Gizé, Dom Anba Antonios Aziz Mina, observando que um indício do interesse geral pela vista de Francisco será a participação diversificada na Missa celebrada pelo Pontífice no sábado, 29 de abril, às 10 da manhã, no Estádio da Aeronáutica Militar, periferia do Cairo.

“Anteriormente – explica Dom Mina – a Missa seria celebrada em uma estrutura coberta no centro do Cairo. A mudança foi necessária não somente porque o estádio pode ser melhor controlado pelos sistemas de segurança, mas também para assegurar um maior número de lugares disponíveis para aqueles que queiram participar. Os fieis católicos poderiam ser no máximo 5 a 6 mil, enquanto que o estádio tem capacidade para 20 mil pessoas”.

“Virão também muitos coptas-ortodoxos e cristãos de outras Igrejas e comunidades eclesiais, além de muitos muçulmanos e delegações oficiais, tanto religiosas como civis”.

Logo ao chegar, o Papa fará um giro pelo estádio em um Golf, para saudar os fieis, acrescenta o prelado.

Expectativa

A grande expectativa pela visita é confirmada também pelos leigos cristãos envolvidos na organização. “Publicidades sobre o evento estão dispostas ao longo das ruas, por tudo, explicou à Agência Ansa o jovem cristão Sami Creta, do Centro de jesuítas em Alexandria. Nas nossas páginas no facebook – diz ele – chegam muitos pedidos, quer de muçulmanos, quer de coptas-ortodoxos e de católicos. Hoje é a notícia principal. Um interesse e uma expectativa confirmados também pelo fato de que estarão presentes representantes governamentais na Missa com Francisco”.

“Daquilo que nos é comunicado pelo facebook – explica o componente do Comitê de mídia – existe muita expectativa pelo discurso do Pontífice. A sua videomensagem circulou muito, foi dada muita atenção a ela. E o governo também se movimentou bastante”.

Tawadros II

Para Samir, “importante será a visita à Igreja de São Pedro, no Cairo. Aguardamos muito a oração com o Patriarca Tawadros II no local do atentado em dezembro passado”.

“Ele levou muito à sério levar em frente o diálogo ecumênico, observa o jovem. A cada ano, em 10 de maio, se celebra a Festa da fraternidade católico-ortodoxa e justamente naquele dia, em 2013, foi ao Vaticano em visita ao Papa. É uma pessoa muito aberta. Fala de Francisco como de um irmão. Será o momento mais verdadeiro e profundo. Também o Pontífice fala seguidamente sobre o “ecumenismo de sangue”, dos mártires que nos unem. E também aqui, a visita à Igreja de São Pedro, alvo de um atentado contra a comunidade copta, é um momento muito esperando”.

Al-Azhar

Em relação à visita à Universidade de Al-Azhar, “esperamos que seja um ponto de partida para um verdadeiro diálogo. Também Al-Azhar tem necessidade de coragem para abrir um novo diálogo que seja real e diga respeito também à liberdade de expressão, observa Samir. O nosso medo é que se transforme somente num fato midiático. Não é a primeira vez que realizam grandes encontros, e existe o temor de que permaneça somente um evento de fachada e não abra a um verdadeiro diálogo na dimensão da paz e dos direitos humanos”.

Para Sami, no entanto, “o momento mais importante” da visita é o encontro com Tawadros II.