Diaconato permanente na Itália: educados para acolhimento e o serviço

“Acolher significa saber tomar pela mão, caminhar juntos, fazer perceber que também nós como Igreja acompanhamos os pobres.” Foi o que ressaltou o arcebispo de Agrigento – sul da Itália –, Cardeal Francesco Montenegro, que é também presidente da comissão episcopal para o serviço da caridade e a saúde e responsável pela Caritas italiana, concluindo em Altavista Milicia – província de Palermo – o Congresso nacional sobre o diaconato permanente.

Foram quatro dias de trabalho – de 2 a 5 de agosto – sobre o tema “Diáconos educados para o acolhimento e a serviço dos enfermos”. O tema do acolhimento esteve no centro do pronunciamento do purpurado.

“Quando uma pessoa se sente acolhida por aquilo que é, além de não sentir-se diferente de nós, se sente amada por Deus”, afirmou. Nessa perspectiva, o responsável pela Caritas italiana explicou o que se entende por “diaconia do acolhimento”:

“Criar relações entre as pessoas para tornar a vida mais humana. Uma vida não acolhida morre, mesmo se biologicamente sobrevive.” Porque – observou – “o acolher não é somente dar uma ajuda generosa, mas demonstrar amizade”.

A esse propósito, o Cardeal Montenegro recordou a visita que o Papa Francisco fez a Lampedusa – extremo-sul da Itália – em 18 de julho de 2013. Naquela ocasião, o Pontífice “quis pobres, imigrados e crianças, não políticos e bispos. Porém, jamais em nossas Igrejas colocamos um aviso nas cadeiras em primeira fila reservando-as aos pobres”.

Portanto, o diácono é chamado a estar “na fronteira da sociedade”. Ele “tem a missão de inserir-se com positividade e com alegria, em nome de toda a comunidade, nas periferias existenciais e materiais do homem do nosso tempo”, ressaltou, por sua vez, o bispo auxiliar da Diocese de Roma e delegado para o diaconato, Dom Gianrico Ruzza.

As periferias não são somente “bairros guetos ou dormitórios, mas também as dificuldades juvenis, o vício em jogos eletrônicos e de azar, o desemprego, o conflito social, as migrações e a marginalização. Qualquer um que é chamado a desempenhar o ministério da consolação deve manifestar a dimensão da compaixão evangélica”, frisou o prelado.

Para a comunidade cristã, e em particular para os diáconos, o desafio indicado é, portanto, “partilhar a condição de fragilidade para promover um caminho que possa levar à plenitude do homem novo em Cristo”.

Mais vezes o bispo auxiliar de Roma  citou o Papa Francisco e indicou que “os diáconos são os protagonistas do sonho do Papa Francisco, sonho de uma Igreja que sabe encontrar caminhos e métodos novos para levar misericórdia.”

Em seguida, convidou os diáconos a passar a atenção do conceito de saúde física e mental para o de “salvação em vista da vida eterna”.

Por fim, dirigiu-lhes outro convite: “Devemos sair da autorreferencialidade, porque o verdadeiro motor deve ser a oração e não uma estratégia organizativa. Devemos ser o viandante que caminha junto com os pobres e sem-teto. Nossa identidade é estar com os outros”.