EM NOVA IORQUE, PAPA FAZ ADVERTÊNCIA ÀS COMODIDADES MUNDANAS

O Papa Francisco deixou Washington, nesta quinta-feira (24), e se dirigiu para Nova Iorque, onde presidiu a oração das Vésperas com o Clero e os Religiosos na Catedral de São Patrício.

Antes de iniciar sua homilia, Francisco fez uma saudação aos irmãos muçulmanos por celebrarem hoje o Dia do Sacrifício e expressou seu sentimento de proximidade diante da tragédia em Meca.

 

“Esta linda Catedral de São Patrício, construída ao longo de muitos anos com o sacrifício de tantos homens e mulheres, pode ser um símbolo da obra de gerações de Sacerdotes, Religiosos e leigos estadunidenses que contribuíram para a edificação da Igreja nos Estados Unidos”, disse Francisco.

Educação

Segundo o Pontífice, no campo da educação, muitos Sacerdotes e consagrados tiveram um papel central neste país, ajudando os pais a dar aos seus filhos o alimento que os nutre para a vida! Muitos fizeram-no à custa de sacrifícios extraordinários e com caridade heroica. “Penso, por exemplo, em Santa Elizabeth Ann Seton que fundou na América a primeira escola católica gratuita para meninas, ou em São João Neumann, fundador do primeiro sistema de educação católica nos Estados Unidos”, sublinhou o Papa.

“Vim rezar convosco para que a nossa vocação continue construindo o grande edifício do Reino de Deus neste país. Sei que vós, como corpo sacerdotal, diante do Povo de Deus, sofrestes muito num passado não distante suportando a vergonha por causa de muitos irmãos que feriram e escandalizaram a Igreja nos seus filhos mais indefesos. Acompanho-vos neste período de sofrimento e dificuldade; e também agradeço a Deus pelo serviço que realizais acompanhando o Povo de Deus”, disse o Pontífice.

Gratidão

O Papa fez duas breves reflexões a fim de ajudar os Sacerdotes, Religiosos e leigos estadunidenses a prosseguirem no caminho da fidelidade a Jesus Cristo:

“A primeira diz respeito ao espírito de gratidão. A alegria de homens e mulheres que amam a Deus atrai a outros; Sacerdotes e consagrados chamados a sentir e irradiar uma satisfação permanente com a sua vocação. A alegria brota dum coração agradecido. Recebemos muito, tantas graças, tantas bênçãos; e alegramo-nos. Far-nos-á bem repassar com a memória as graças da nossa vida. Peçamos a graça da memória para fazer crescer o espírito de gratidão”, sublinhou Francisco.

Laboriosidade

“A segunda reflexão tem a ver com o espírito de laboriosidade. Um coração agradecido é, espontaneamente, impelido a servir o Senhor e a abraçar um estilo de vida diligente. No momento em que nos damos conta de tudo aquilo que Deus nos deu, o caminho da renúncia a si mesmo a fim de trabalhar para Ele e para os outros torna-se um caminho privilegiado de resposta ao seu amor.”

Sabemos, porém, que este espírito de trabalho generoso e sacrifício pessoal pode ser facilmente sufocado. “Há duas maneiras para isso acontecer, sendo ambas exemplo da espiritualidade mundana, que nos enfraquece no nosso caminho de serviço e degrada o enlevo do primeiro encontro com Jesus Cristo”, disse ainda o Papa.

“Podemos ficar encastrados quando medimos o valor dos nossos esforços apostólicos pelo critério da eficiência, do funcionamento e do sucesso externo que governa o mundo dos negócios. O verdadeiro valor do nosso apostolado é medido pelo valor que o mesmo tem aos olhos de Deus”, sublinhou.

Segundo o Papa, “um novo perigo surge quando nos tornamos ciosos do nosso tempo livre, quando pensamos que rodear-nos de comodidades mundanas nos ajudará a servir melhor. O problema, com este modo de raciocinar, é que pode ofuscar a força do chamado diário de Deus à conversão, ao encontro com Ele. Pouco a pouco vai diminuindo o nosso espírito de sacrifício, de renúncia e de laboriosidade”.

Repouso cristão

Francisco recordou que “o repouso é uma necessidade, como o são os momentos de tempo livre e de restauração pessoal, mas devemos aprender a descansar de forma que aprofunde o nosso desejo de servir de modo generoso. A proximidade aos pobres, refugiados, imigrantes, doentes, explorados, idosos que sofrem a solidão, encarcerados e muitos outros pobres de Deus ensinar-nos-á outro tipo de repouso, mais cristão e generoso”.

O Papa manifestou sua admiração e gratidão às consagradas dos Estados Unidos. “Que seria esta Igreja sem vós? Mulheres fortes, lutadoras; com aquele espírito de coragem que vos coloca na linha da frente a anunciar o Evangelho. A vós consagradas, irmãs e mães deste povo, quero dizer «obrigado», um «obrigado» grandíssimo e dizer também que gosto muito de vós.”