PAPA AOS MINISTRANTES: UMA ACADEMIA DE EDUCAÇÃO NA FÉ E NA CARIDADE

O Papa Francisco ingressou na Praça São Pedro, fazendo o  tradicional giro com o papamóvel entre os jovens, a quem agradeceu pela presença, “desafiando o sol romano de agosto”. Em seu pronunciamento, o Papa pediu  aos Acólitos e coroinhas que se convertam em missionários e não se fechem em si mesmos, mas que partilhem a alegria e a misericórdia de Deus com os demais.

Os ministrantes –  como o Profeta Isaías citado pelo Papa Francisco como modelo e fonte inspiradora da peregrinação – “são pequenos e frágeis, mas com a ajuda de Jesus são revestidos com a força para realizar uma grande viagem na vida”:

“Também o profeta Isaías descobre esta verdade, ou seja, que Deus purifica as suas intenções, perdoa os seus pecados, cura o seu coração e torna-o idôneo para realizar uma tarefa importante: levar a palavra de Deus ao povo, tornando-se instrumento da presença e da misericórdia divina. Isaías descobre que, ao colocar-se confiadamente nas mãos do Senhor, toda a sua existência se transforma”.

Como Isaías, também vocês – exortou o Papa – devem descobrir a infinita grandeza de Deus, que nos criou e nos quis, mas também devem fazer-se próximos e aprender a esperar, pacientemente, a resposta à sua iniciativa que é sempre a primeira. Mas vocês são mais afortunados do que o profeta, disse o Papa:

“Na Eucaristia e nos outros Sacramentos experimentais a proximidade íntima de Jesus, a doçura e a eficácia da sua presença. Não encontrais Jesus colocado num trono, alto, sublime e inalcançável, mas no pão e no vinho eucarísticos, e a sua palavra não faz vibrar os umbrais das portas, mas as cordas do coração”.

E se “não opusermos resistência” – continuou o Papa –  Deus, como fez Isaías, “tocará os nossos lábios com amor misericordioso, tornando-nos idôneos para acolhê-lo e levá-lo aos irmãos. E é este o nosso chamado:

“Assim como Isaías, também nós somos convidados a não ficar fechados em nós mesmos, guardando a nossa fé num depósito subterrâneo ao qual acudimos nos momentos difíceis. Somos chamados, ao contrário, a compartilhar a alegria de reconhecermo-nos eleitos e salvos pela misericórdia de Deus, para sermos testemunhas de que a fé é capaz de dar nova direção aos nossos passos; que ela nos torna livres e fortes para estarmos disponíveis e idôneos para a missão”.

“Ministrantes missionários: assim nos quer Jesus!” – disse o Papa. “E quanto mais estareis próximos do altar, mais vos lembrareis de conversar com Jesus na oração diária, mais vos alimentareis da Palavra e do Corpo do Senhor, e sereis muito mais capazes de ir até ao próximo, levando como dom aquilo que recebestes, dando com entusiasmo a alegria que vos foi dada”. E o Santo Padre conclui com um agradecimento:

“Obrigado pela vossa disponibilidade de servir o altar do Senhor, tornando este serviço uma academia de educação na fé e na caridade ao próximo. Obrigado também por terdes começado a responder ao Senhor, como o profeta Isaías: «Eis-me aqui, envia-me»”.

 

Acompanhe a íntegra da homilia do Papa Francisco nesta terça-feira (4), em ocasião da Peregrinação Internacional dos Ministrantes que está sendo realizada em Roma:

“Queridos Ministrantes, Boa Tarde.

Agradeço a vossa presença numerosa que desafiou o sol romano de agosto. Agradeço o Bispo Dom Nemet, vosso Presidente, pelas palavras com que introduziu este encontro. Saístes de vários Países para fazer a vossa peregrinação a Roma, lugar do martírio dos Apóstolos Pedro e Paulo. É significativo ver que a proximidade e familiaridade com Jesus Eucaristia no serviço do altar, torna-se também uma oportunidade para abrir-se aos outros, para caminhar juntos, de escolher metas de compromisso e encontrar as forças para alcançá-las. É fonte de verdadeira alegria reconhecer-se pequeno e fraco, mas sabendo que, com a ajuda de Jesus, podemos ser revestidos de força e realizar uma grande viagem na vida com Ele.

O profeta Isaías também descobre esta verdade, ou seja, que Deus purifica as suas intenções, perdoa os seus pecados, cura o seu coração e torna-o idôneo para realizar uma tarefa importante: levar a palavra de Deus ao povo, tornando-se instrumento da presença e da misericórdia divina. Isaías descobre que, ao colocar-se confiadamente nas mãos do Senhor, toda a sua existência se transforma.

A passagem bíblica que ouvimos fala-nos justamente sobre isso. Isaías tem uma visão, que lhe faz perceber a majestade do Senhor, mas, ao mesmo tempo, mostra-lhe como Deus, embora se revele, permanece distante.

Isaías descobre, com assombro, que é Deus quem dá o primeiro passo, não esqueçamos disso, que é Deus que dá o primeiro passo e se aproxima em primeiro lugar; Isaías percebe que a ação divina não é impedida pelas suas imperfeições pessoais, mas que somente a benevolência divina é capaz de torná-lo idôneo para a missão, transformando-o numa pessoa totalmente nova e, portanto, capaz de responder ao chamado de Deus e dizer: «Eis-me aqui, envia-me» (Is 6,8).

Hoje, sois mais afortunados do que o profeta Isaías. Na Eucaristia e nos outros sacramentos experimentais a proximidade íntima de Jesus, a doçura e a eficácia da sua presença. Não encontrais Jesus colocado num trono, alto, sublime e inalcançável, mas no pão e no vinho eucarísticos, e a sua palavra não faz vibrar os umbrais das portas, mas as cordas do coração. Assim como Isaías, cada um vós também descobre que Deus, mesmo tornando-se próximo em Jesus e inclinando-se por amor a vós, sempre permanece imensamente maior e para além da nossa capacidade de compreender a sua íntima essência. Como Isaías, vós também fazeis a experiência de que a iniciativa é sempre de Deus, pois é Ele que vos criou e desejou. É Ele quem, no batismo, tornou-vos novas criaturas e é sempre Ele que espera pacientemente pela resposta à sua iniciativa e que oferece o perdão a todos os que pedem-No humildemente.

Se não resistimos à sua ação Ele vai tocar os nossos lábios com a chama do seu amor misericordioso, como fez com o profeta Isaías, e isso nos tornará idôneos para recebê-Lo e levá-Lo aos nossos irmãos. Como Isaías, nós também somos convidados a não ficar fechados em nós mesmos, guardando a nossa fé num depósito subterrâneo ao qual acudimos nos momentos difíceis. Somos chamados, ao contrário, a compartilhar a alegria de reconhecermos-nos eleitos e salvos pela misericórdia de Deus, para sermos testemunhas de que a fé é capaz de dar nova direção aos nossos passos; que ela nos torna livres e fortes para estarmos disponíveis e idôneos para a missão (Is 6,8).

Como é bom descobrir que a fé faz-nos sair de nós mesmos, do nosso isolamento e, justamente porque somos colmados com a alegria de ser amigos de Cristo Senhor, ela nos dirige aos outros, tornando-nos naturalmente missionários!

Queridos ministrantes missionários, quanto mais estareis próximos do altar, mais vos lembrareis de conversar com Jesus na oração diária, mais vos alimentareis da Palavra e do Corpo do Senhor, e sereis muito mais capazes de ir até ao próximo, levando como dom aquilo que recebestes, dando com entusiasmo a alegria que vos foi dada.

Obrigado pela vossa disponibilidade de servir o altar do Senhor, tornando este serviço uma academia de educação na fé e na caridade ao próximo. Obrigado também por terdes começado a responder ao Senhor, como o profeta Isaías: «Eis-me aqui, envia-me».”