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POLÔNIA CELEBRA CANONIZAÇÃO DO FUNDADOR DOS PADRES MARIANOS

“Estamos esperando este momento há 300 anos”, disse o Padre Wojciech Skóra, da Igreja da Divina Providência do Monte Calvário, onde se encontram os restos mortais do Beato Stanislaw Papczynskiego, fundador dos Padres Marianos, que será declarado oficialmente Santo no próximo dia 5 de junho.

A Ordem dos Clérigos Marianos da Imaculada Virgem Maria é a primeira Ordem religiosa fundada na Polônia e sobreviveu a notáveis dificuldades.

Segundo informou a agência católica KAI, a Congregação dos Marianos tem uma longa lista de perdas materiais e humanas, mas tem conservado sua espiritualidade apesar das adversidades e destruição.

“Sua existência foi ameaçada devido à crise, às divisões, às guerras, à ocupação e ao comunismo, o que atrasou significativamente a canonização do fundador”, disse Alina Petrov-Wasilewicz à agência.

Santo confessor

O Beato Stanislaw Papczynskiego, ou Estanislau de Jesus e Maria, foi um religioso Esculápio com grande fama de pregador e promotor do Sacramento da Penitência. Durante seu apostolado, se dedicou à reforma de sua Ordem e buscou o estrito cumprimento da Regra.

Devido a uma divisão no interior da comunidade se viu forçado a retirar-se da mesma em 1670, fundando em seguida uma Ordem de eremitas dedicados à propagação do culto da Virgem Maria e do dogma da Imaculada Conceição (que não tinha sido ainda proclamado).

Edificou uma pequena capela de madeira e começou um intenso trabalho de apostolado nas comunidades rurais.

O futuro Santo experimentou numerosas visões das almas do purgatório, e afirmava: “Irmãos, rezem pelas pobres Almas do Purgatório, porque seus sofrimentos são insuportáveis”.

Da mesma maneira declarou guerra contra o abuso do álcool, um mal muito presente em seu tempo. Aos membros de sua comunidade, proibiu o consumo da popular vodca, causadora deste mal: “O uso da vodca está proibido estritamente, tanto em casa como fora dela, sob a perda da bênção divina”, determinou. “Isto é para honrar a sede de Nosso Senhor na Cruz”.

Reconhecimento

Para obter a aprovação canônica, o fundador teve que assumir uma Regra já existente e desenvolver seu apostolado em paróquias constituídas. Cumprindo estes requerimentos, obteve a aprovação Pontifícia em 1699, recebendo a Regra da Ordem da Anunciação da Virgem Maria, uma comunidade feminina franciscana, o que fez com que os religiosos fossem agregados à Ordem dos Frades Menores.

O Beato Estanislau faleceu dois anos depois, e somente alguns meses depois professaram votos os primeiros religiosos da Ordem.

A Ordem continuou crescendo e se expandiu pela Polônia e Lituânia, assim como obteve a custódia da igreja dos Santos Vito e Modesto em Roma.

Em 1787 se reconheceu como uma realidade independente da comunidade franciscana e se anulou a agregação à Ordem dos Frades Menores.

No entanto, novas dificuldades aguardavam a comunidade, que padeceu o confisco da maior parte de seus bens por parte do Czar da Rússia. Em 1867 só restavam 24 religiosos, em 1897 só três e, finalmente, um em 1908.

Para evitar o desaparecimento da Congregação, o Beato Jurgis Matulaitis, então sacerdote e professor da Academia Teológica, pediu que se permitisse ingressar na Ordem sem completar o noviciado e poder usar o hábito preto dos sacerdotes seculares.

O Beato restaurou a comunidade que ainda teve que enfrentar a censura russa e a perseguição por parte do regime nazista e a União Soviética.